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O Cristiano Ronaldo brasileiro!

29/06/2011

Continuando sobre negociações bizarras, citadas no post passado, vale lembrar desta grande personalidade do futebol brasileiro atual. Ainda não sei o que é mais charmoso: ter o nome de José Eduardo Bischofe de Almeida ou se auto-intitular como Zé Love.

Bischofe Love foi transferido para o Genoa por 2,7 milhões de euros (R$ 6,1 milhões). Com certeza os dirigentes do clube italiano contrataram Zé Love de Almeida para comandar uma grife de roupas para os pagodeiros brasileiros radicados em Gênova. Este cara é um dos maiores trombadores da história recente do futebol brasileiro. Colocaria no patamar “Love” jogadores mais antigos como: Leandro Machado (aquele que sempre machucava o nariz nos jogos do Flamengo), Dimba, Viola, Túlio Maravilha, Serginho Chulapa e etc.

Pela foto podemos perceber como o amor deste jogador transcende as barreiras do futebol. Com o grande modelo Cristiano Ronaldo como inspiração, Zé Love (é o tipo de apelido q vc nao consegue parar de rir) tem investido muito em sua imagem. Semana passada, uns dias após a vitória do Santos sobre o patético Peñarol, Zé postou no seu twitter(@Ze_Love) :

“Sinceramente, não è a toa que eu sou o jogador mais lindo do Brasil!”

Massa heim Bischofe!

Por Diego Brotas

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Um Idiota pra Chamar de Presidente

22/06/2011

Sempre fui um grande admirador do histórico das brilhantes negociações do Flamengo. Uma tradição tão forte e enraizada no clube quanto a própria produção de craques. São muitas as transações geniais através da história: a venda do maior jogador depois do Pelé para a inexpressiva Udinese, a saída do Bebeto no auge da carreira para o Vasco (pra depois ser re-comprado em estado avançado de invalidez), toda a geração de Djalminha, Marcelinho e Paulo Nunes, culminando com a visionária troca dos jovens Adriano e Reinaldo (e mais uma grana) pelo Vampeta. Sim, o Vampeta.

A dispensa do Romário é um capítulo à parte. O maior artilheiro da Terra foi dispensado para fazer (muitos) gols no Flamengo com a camisa do Vasco porque foi fugiu da concentração para um boate (supresa!), enquanto que Fábio Baiano e Beto foram perdoados porque cumpriram a punição exemplar estabelecida pelos administradores profissionais do clube: pedir desculpas à torcida. Bravo.

Mas confesso que mesmo estando acostumado a assistir o clube mais popular do país ser administrado por pessoas que não poderiam nem ser síndicos de prédio, ter carteira de motorista e votar, ainda me surpreendi com a complexa operação envolvendo a lateral-esquerda, que vem se desenvolvendo em sua complexidade logística há meses, mas só agora parece ter seu glorioso desfecho final revelado. Vou tentar escrever de modo que faça sentido, o que é difícil quando não há sentido algum no que se escreve:

O Flamengo tinha um bom lateral-esquerdo.
O Flamengo vende o bom-lateral-esquerdo.
O Flamengo, mesmo tendo vendido o bom-lateral-esquerdo, não tem dinheiro para comprar outro bom lateral-esquerdo.
O Flamengo joga com um péssimo lateral-esquerdo.
O péssimo lateral-esquerdo passa a jogar como bom lateral-esquerdo.
O Flamengo contrata como solução um médio lateral-esquerdo, que por sinal é reserva do mesmo bom lateral- esquerdo vendido anteriormente.
O investimento tem que ser justificado e o médio lateral-esquerdo será o titular.
Resultado: o sempre bom lateral-esquerdo se foi, e o agora bom lateral-esquerdo passa a ser reserva do médio lateral-esquerdo que era o reserva do sempre bom lateral-esquerdo.

É preciso pelo menos duas pós-graduações em Administração & Marketing Esportivo pra entender a sagacidade dessas transações, mas tenho certeza de que tudo caminha para a re-compra daquele primeiro lateral-esquerdo que foi vendido na primeira linha da explicação. Mas agora não. Deixa ele fazer uns 38 anos.

Por Daniel Furlan

Fábio Baiano e sua eterna expressão de esforço intelectual mal-sucedido já foi o cérebro organizador do meio-campo do Flamengo.

Duelo de Titãs

15/06/2011

O sonho acabou. A Vice-Tríplice Coroa mostrou-se um projeto ambicioso demais para a equipe cruzmaltina. Infelizmente, não cruzar com o Flamengo na final da Copa do Brasil não estava nos planos, e o Vasco  acabou conseguindo vencer a competição, jogando meses de planejamento no lixo. A torcida, desacostumada a títulos, agora não sabe como reagir e só pode lamentar o infortúnio de ter cruzado com o Coritiba, uma equipe muito parecida com o próprio Vasco: também carrega a responsabilidade de ser a segunda força em seu estado, e pode se gabar de ter títulos* em várias divisões do futebol brasileiro. Resumindo, um clássico do futebol secundário nacional, igual em tradição e onde não há culpados na derrota.
*Quando me refiro a “título” em várias divisões, é só força de expressão. Campeão é quem vence a Primeira Divisão. Quem ganha a Segunda ainda está abaixo de dezenas de outros clubes e simplesmente se classificou para disputar o Campeonato de verdade no ano seguinte.

Por Daniel Furlan

O V do Vice

09/06/2011


Nesta quarta-feira, o Clube de Regatas Vasco da Gama dará o segundo passo decisivo rumo ao capítulo mais ambicioso de sua história de vice-campeonatos: a inédita Vice Tríplice Coroa. O grande rival Flamengo, que começou o ano cheio de expectativas, ronaldinhos e invencibilidades, foi o primeiro a falar em tríplice coroa, uma façanha já alcançada pelo treinador Wanderley Luxemburgo com o Cruzeiro, em 2003. Diga-se de passagem, esta foi a única vez em que um clube ganhou, no mesmo ano, o estadual, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

Por aí, já vemos o tamanho da ambição do Flamengo, que mostrou-se grande demais para o atual elenco de wellingtons e waderleys. E se analisarmos friamente, o atual time rubro-negro jamais deu sinais de que estaria à altura do desafio, muito mais um delírio megalomaníaco do treinador e da presidente.

Mas o mesmo não se pode dizer do Vasco. Depois de um começo de temporada muito ruim, parecia que nem mesmo o obrigatório vice estadual aconteceria, frustrando sua exigente torcida acostumada a vice-títulos. Entretanto, a chegada do técnico Ricardo Gomes fez da equipe cruzmaltina a que mais evoluiu no ano, levando para São Januário mais um heróico vice, mesmo num campeonato sem final. Façanha para poucos.

E agora, a partida de logo mais contra o Coritiba traz o objetivo do vice da Copa do Brasil para cada vez mais perto. Ao contrário da proeza do Cruzeiro de 2003, a Vice Tríplice Coroa jamais foi conquistada por nenhuma equipe. Mas o sonho quase impossível começa a ficar mais palpável daqui a pouco. Depois é só manter o foco no Brasileiro, que a tradição faz o resto.

Daniel Furlan

O começo da era

02/06/2011

Qualquer livro de Lair Ribeiro pode lembrar a você que basta um momento para se transformar uma vida. Aquilo que um coxinha corporativo paulista chama de turning point. Na história de um clube de futebol esses momentos acontecem com freqüência irregular. Tanto para o bem, inaugurando com pompa tempos de glória e sodomização de rivais, quanto para o mal – configurando a pedra fundamental de muitas humilhações.
No inconsciente coletivo rubro-negro estão presentes dois jogos que ilustram bem o que digo: a final do gol de Rondinelli e o Fla-flu do gol de barriga. O primeiro, em 1979, marcou definitivamente o começo da soberania flamenga frente ao planeta. A única coisa boa na década de 80. O segundo jogou sobre o reino de Zico uma zica que nem a presença do então maior artilheiro da Terra (Romário) e sua incrível média de 17 gols a cada 20 jogos conseguia resolver. Em quatro anos, apenas títulos cariocas (1996, invicto e 99). Quase nada em termos de Flamengo.
Já que esse é meu segundo post, por uma questão de coerência histórica, vamos falar do Vasco. Na próxima quarta teremos a oportunidade de ver nossa querida baranga, como bem define Arthur Muhlenberg, tentar –mais uma vez- fazer sua libertação da desagradável estigma de vice. A bem da verdade não servirá muito, já que se faz necessário que o Vasco vença o Flamengo para que a maldição se dissipe. Mas isso não vem ao caso, já que acho que o Vice seguirá seu destino natural.
A questão é: quando começou a nhaca do Vasco? Na semana passada comemoramos o gol do Pet, reconhecido pela maioria como data de lançamento do viceinato. Eu fazia coro, até assistir este vídeo. Reparem na postura do Vice antes do jogo e – principalmente, na profecia de Luiz Alberto.

http://www.video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1485930-7824-EM+FLAMENGO+VENCE+O+VASCO+POR+A+NA+FINAL+DA+TACA+GUANABARA,00.html

“O clássico da paz começa com a falta de cordialidade do Vasco”

A bola pune.

*Destaque também para a grande atuação de uma das feras que dá nome ao blog.

Gabriel Campos vai gargalhar na próxima quarta-feira

Um idiota pra chamar de seu

02/06/2011

É sabido que falar mal dos outros areja as artérias. Ao praticar o saudável costume, uma categoria surge com freqüência de bolinha da Globo tardes de domingo na minha cabeça: adivinhou, técnicos de futebol.

Natural, já que a  profissão reúne a maior quantidade de ignóbeis por centro de treinamento entre todas as registradas no Ministério do Trabalho. Com a contribuição de Milton Neves, e seu Super Técnico, eles ganharam ares de inventores da matéria. Haja intestino. Nesse lamaçal de cretinice, cada um tem o seu favorito para destilar fúria e asco. O meu é Celso Roth.

Eu poderia gastar meus parcos caracteres para mostrar o que o distingue de outros losers como Tite, Caio Jr., Mario Sérgio e Cuca. Mas acho que basta esse link (definitivo):

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2011/01/poucos-se-lembram-mas-gaucho-ja-brilhou-muito-no-futebol-brasileiro.html

“Celso Roth assumiu e Ronaldinho foi para o banco. Itaqui assumiu a titularidade”

Sem mais, Meritíssimo.

– Gabriel Campos acabou de ser pai e vai ensinar seu filho a desprezar Adilson Batista.

Guia Paulo César Vasconcellos de Comentário Esportivo

29/05/2011

O Campeonato Brasileiro começou. Não sei exatamente quantos jogos serão, mas serão muitos – muito mais do que você ou qualquer pessoa com emprego ou vida social conseguiria acompanhar. Mas isso não é motivo para passar vergonha nas conversas de bar ou em tentativas de socialização com o porteiro do seu prédio. Existe uma maneira muito fácil de comentar todo e qualquer jogo sem nem assistir aos Gols do Fantástico.

A arte de falar com propriedade sobre assuntos que não se domina é comum em todos os campos da sociedade, mas no futebol ela parece ser absolutamente essencial, explicando a existência dos comentaristas esportivos profissionais.

Mas como o velho “Futebol é uma caixinha de surpresas” não é mais aceitável no blefe futebolístico moderno, então aqui vai uma lista de comentários genéricos que servem para todo e qualquer jogo, batizado em homenagem ao brilhante cronista Paulo César Vasconcellos, um verdadeiro mestre da modalidade. Para aumentar a credibilidade de seus devaneios, não se esqueça de olhar para o horizonte e juntar as pontas dos dedos:

“O TIME TEM QUE JOGAR MAIS PELAS LATERAIS.”
Um clássico do pitaco redundante. Se bobear, serve até para comentar natação. Possível complemento: “O meio está muito congestionado”.

“ESSE É UM JOGO QUE VAI SER DECIDIDO NO DETALHE”.
Não importa se o Barcelona ganhar de 7×0 do Itaperuna. Nesse caso você diz que o detalhe foi o Messi.  O importante é basear seu comentário  num conceito vago. Possível complemento: “Numa bola parada ou no erro do adversário”. Até hoje não há registros no futebol de uma equipe vencendo graças a acertos do adversário.

“TEM QUE ACERTAR O PASSE”
Se ainda assim estiver inseguro e quiser ser o mais óbvio possível, ser absolutamente desnecessário é sempre o melhor caminho.

“ESTÁ FALTANDO LIGAÇÃO DO MEIO COM O ATAQUE”
Comentário também conhecido como “O problema está no último passe.” Use sem medo ou critério.

“NÃO HÁ COBERTURA PARA A SUBIDA DOS LATERAIS, O ADVERSÁRIO MARCA POR ZONA E CONTRA-ATACA COM MAIS VOLUME DE JOGO FAZENDO TRIANGULAÇÃO EM CIMA DOS VOLANTES”
Se tudo der errado, simplesmente misture vários termos táticos numa frase que não precisa fazer nenhum sentido.

PLANO DE EMERGÊNCIA: “RESPOSTA SÉRGIO NORONHA”
Caso alguém te faça uma pergunta específica que não possa ser respondida usando esta lista, use uma resposta estilo Sérgio Noronha, que é simplesmente devolver a pergunta para o interlocutor – com ares de sabedoria, claro:
Narrador: “Mas Sérgio Noronha, não estaria faltando cobertura nas laterais do time do Payssandu?”
Sérgio Noronha: “Será?”

Boa sorte. Tenho certeza que a mulherada ficará muito impressionada.

Daniel Furlan