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Nomes que jogam sozinhos

01/08/2011

 

Existem dois tipos bem distintos de maus jogadores. Aqueles que passam despercebidos em meio à avalanche de maus jogadores que tentam a sorte em torneios de menor expressão longe das antenas de TV. E aqueles que se destacam. É difícil tentar entender como um jogador pode se destacar pela sua falta de talento, mas o fato é que em cada clube o torcedor sabe reconhecer a “mina”, prestes a estourar a qualquer momento que a bola passe dentro de seu raio de ação.

Ainda dentro dessa categoria, a dos maus jogadores que se destacam, existe ainda um grupo mais seleto, geralmente destinado aos anais dos baús esportivos por gerações e gerações. Aquele tipo de jogador que os pais comentam com seus filhos, os avôs comentam com seus netos… jogadores que, por algum motivo inexplicável, constroem carreiras sólidas em grandes clubes, inclusive em seleções!!! Com alguns deles, chega-se a ter a sensação de que se perdeu algo fundamental do mundo do futebol, por não se ter nascido naquela época, visto as lambanças memoráveis. Quem não se lembra do Maurinho, no Flamengo? Léo Lima, andarilho que teve breves lampejos de futebol no Vasco? Zé Carlos, lateral direito convocado às pressas para a Copa de 1998?

Agora, se afilarmos ainda mais o nosso filtro, chegaremos a um tipo de mau jogador realmente “diferenciado” (para usar um termo em voga). Um jogador que, além de todas as características citadas acima, tem no próprio nome o carimbo, o selo do mau jogador. Parece que desde o início já se sabia que ele seria um legítimo “pereba”, destinado a fazer história. Alguns casos são ainda mais graves, pois é o próprio sobrenome do jogador que revela sua natureza arquetipicamente destinada ao fracasso no mundo do futebol. Fracasso técnico, porém, é importante ressaltar, não necessariamente financeiro ou publicitário… em alguns casos, o fracasso técnico pode inclusive vir acompanhado de uma forte ascendência moral sobre o grupo, como um fator compensatório. Vide Dunga, Capitão, Loco Abreu, Fernandão (aquele volante que jogou no Palmeiras, mas pode ser esse atual ex-centroavante também)…

Aqui vai uma breve lista de alguns jogadores que estão neste rol. Desde já estão todos convidados a dar suas sugestões, relembrando estes personagens da maior importância para a graça e a relevância do “futebol enquanto cultura”:

  • Otamendi: Zagueiro argentino da atualidade, jogou a última copa do mundo pela seleção de seu país, sendo incisiva e exaustivamente explorado por todos os adversários, de todos os outros times. Parece xingamento esse nome…
  • Oleguer: Lateral direito do segundo melhor Barcelona dos últimos anos, aquele do Ronaldinho e do Eto’o. Destoava ABSURDAMENTE dos outros jogadores, mas ainda assim conseguiu deixar o nosso Belleti na reserva.
  • Abate: Misto de zagueiro com lateral direito, acaba não sendo nenhuma coisa nem outra. Um tipo muito comum no futebol europeu, por sinal. Era o pior jogador do pior Milan da década. O seu reserva imediato poderia ser, entre outros, o Oddo, que por ter nome de pereba e ser reserva do Abate foi escolhido para entrar na lista também.
  • Salgado: Salgado era o futebol dele, com botinadas criminosas e lançamentos bizarros. Seu momento de maior destaque no noticiário aconteceu quando quase quebrou a perna de Juninho Paulista, que até então vinha construindo uma carreira promissora no Atlético de Madri e depois nunca mais foi o mesmo. A entrada pode ser vista no youtube, e causa arrepio e indignação até hoje. Vocês podem até tentar, mas ninguém explica como esse cara foi titular do Real Madri por tantos anos.
  • Odvan: Zagueiro do Vasco célebre na década de 90. Ganhou libertadores e tudo com o time, jogando de titular. Chegou a ir para a seleção. Com algumas doses de anabolizante, o Welliton, do Flamengo, tem tudo para preencher a lacuna por ele deixada, e tornar o campeonato brasileiro deste ano mais divertido para todos os não-rubro-negros. Sim, porque os flamenguistas, esses naturalmente querem sua cabeça pendurada num poste.
  • Piá: Lateral esquerdo titular que fez parte da campanha do título brasileiro flamenguista em 1992. Nem com o Júnior (aka Leovegildo) jogando do lado dele o cabra conseguiu se entender com esse negócio de futebol. Lembro que, do alto da minha pureza e ingenuidade dos 12 anos, assisti a um jogo do Flamengo no qual o comentarista informou que aquele era o dia do aniversário do Piá. Meu coração se encheu de otimismo, aquilo poderia ser um sinal. O Flamengo perdeu de 5 x 1, e o Piá entrou definitivamente para esta lista.
  • Qualquer nome com um “Capixaba” como complemento: Marquinhos Capixaba, Fabinho Capixaba… Não sei por que, na maioria das vezes esse tipo de jogador vem com o primeiro nome no diminutivo. É quase sempre certeza de mau futebol.
  • Maikol, Maicon, Maikon, Maicou… Maicossuel!: Com algumas exceções (duas pra ser mais preciso), você desconfia logo quando aparece alguém com uma nova versão desse nome marcante do mundo do basketball. Engraçado que “Miguel” mesmo a gente quase não vê mais…
  • Aílton Queixada: Conseguiu ser artilheiro do campeonato alemão com esse nome. Também, nesse ano o time dele, Werder Bremen, conseguiu ser campeão nacional. A bruxa tava mesmo solta.
  • Mozart: Volante revelado pelo Coritiba e contratado pelo Flamengo por, na época, R$3 MI. O absurdo desse investimento só fica atrás da lendária transação Adriano + Reinaldo = Vampeta.
  • Nasa: Parceiro fiel do Odvan no Vasco que ganhava tudo no final da década de 90. Era preciso muito Edmundo, Juninho Pernambucano, Pedrinho e Felipe pra dar conta de suprir a ausência de futebol desses dois.
  • Carlinhos Itaberá: No Fluminense do início da década de 90, este lateral direito ficou notório por ter batido lateral para fora num jogo do campeonato carioca. Notoriedade que, obviamente, não passou de alguns dias e mais algumas piadas após aquele jogo.
  • Fellype Gabriel: O nome já é auto-explicativo.
  • Richarlyson: Outro nome auto-explicativo.
  • Rodrigo Arroz: E pensar que um jogador com esse nome já foi considerado promessa de arrumação do setor defensivo do Flamengo. Apesar do comprometimento com a camisa, faltou todo o resto.
  • Gelson Baresi: Queria ter nascido Franco, mas veio como Gelson mesmo. Não se conformou, e acabou entrando para esta lista. Grande feito!
  • Cobi Jones: Atacante norte americano que jogou no Vasco na década de 90. Precisa dizer mais?!
  • Misso: Lateral esquerdo do Botafogo… bem, o nome dele era Misso… dá um desconto pro cara.
  • Oséias:  O único artilheiro que não perdeu a “pecha” de perna de pau nem sendo campeão da  Libertadores pelo Palmeiras.
  • O já citado Dunga: Volante carrancudo e brigão com nome de anão da Branca de Neve. No mínimo bizarro.

Obs: Iranildo e Perivaldo, por serem os homenageados maiores deste blog, estão na categoria “hours-concours” e não podem participar de qualquer enquete, matéria, texto, gozação ou piada. 

Por Carlos Jr.

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5 Comentários leave one →
  1. Bernardo permalink
    05/08/2011 22:13

    Não concordo com Dunga, um jogador estigmatizado por uma “crítica fácil” da imprensa. Era um excelente volante e foi decisivo em 94 diante da falta de criatividade do meio-campo.

    Por outro lado, senti falta do Charles Guerreiro na lista.

  2. Bernardo permalink
    05/08/2011 22:19

    E o Télvio Terremoto, irmão do Túlio Maravilha, contratado pelo Botafogo na década de 90?

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