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Um Idiota pra Chamar de Presidente

22/06/2011

Sempre fui um grande admirador do histórico das brilhantes negociações do Flamengo. Uma tradição tão forte e enraizada no clube quanto a própria produção de craques. São muitas as transações geniais através da história: a venda do maior jogador depois do Pelé para a inexpressiva Udinese, a saída do Bebeto no auge da carreira para o Vasco (pra depois ser re-comprado em estado avançado de invalidez), toda a geração de Djalminha, Marcelinho e Paulo Nunes, culminando com a visionária troca dos jovens Adriano e Reinaldo (e mais uma grana) pelo Vampeta. Sim, o Vampeta.

A dispensa do Romário é um capítulo à parte. O maior artilheiro da Terra foi dispensado para fazer (muitos) gols no Flamengo com a camisa do Vasco porque foi fugiu da concentração para um boate (supresa!), enquanto que Fábio Baiano e Beto foram perdoados porque cumpriram a punição exemplar estabelecida pelos administradores profissionais do clube: pedir desculpas à torcida. Bravo.

Mas confesso que mesmo estando acostumado a assistir o clube mais popular do país ser administrado por pessoas que não poderiam nem ser síndicos de prédio, ter carteira de motorista e votar, ainda me surpreendi com a complexa operação envolvendo a lateral-esquerda, que vem se desenvolvendo em sua complexidade logística há meses, mas só agora parece ter seu glorioso desfecho final revelado. Vou tentar escrever de modo que faça sentido, o que é difícil quando não há sentido algum no que se escreve:

O Flamengo tinha um bom lateral-esquerdo.
O Flamengo vende o bom-lateral-esquerdo.
O Flamengo, mesmo tendo vendido o bom-lateral-esquerdo, não tem dinheiro para comprar outro bom lateral-esquerdo.
O Flamengo joga com um péssimo lateral-esquerdo.
O péssimo lateral-esquerdo passa a jogar como bom lateral-esquerdo.
O Flamengo contrata como solução um médio lateral-esquerdo, que por sinal é reserva do mesmo bom lateral- esquerdo vendido anteriormente.
O investimento tem que ser justificado e o médio lateral-esquerdo será o titular.
Resultado: o sempre bom lateral-esquerdo se foi, e o agora bom lateral-esquerdo passa a ser reserva do médio lateral-esquerdo que era o reserva do sempre bom lateral-esquerdo.

É preciso pelo menos duas pós-graduações em Administração & Marketing Esportivo pra entender a sagacidade dessas transações, mas tenho certeza de que tudo caminha para a re-compra daquele primeiro lateral-esquerdo que foi vendido na primeira linha da explicação. Mas agora não. Deixa ele fazer uns 38 anos.

Por Daniel Furlan

Fábio Baiano e sua eterna expressão de esforço intelectual mal-sucedido já foi o cérebro organizador do meio-campo do Flamengo.

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